Preciso converter minha União Estável em casamento?

O que sempre dissemos aqui - e repetimos agora - é que você não deve é viver um relacionamento sem pensar no amanhã, sem planejar, sem pretender o mínimo de SEGURANÇA JURÍDICA para o casal; e sim, isso pode significar resguardar os direitos decorrentes da relação formando um conjunto probatório e valendo-se da prova especial, dotada de fé pública, que é a ESCRITURA PÚBLICA DE UNIÃO ESTÁVEL. O instrumento público tem PLENA VALIDADE já aquilatada na Lei e na doutrina, sendo também reconhecida sua validade na jurisprudência pátria:

"TJDFT. PROCESSO CIVIL. (...) INCLUSÃO DE COMPANHEIRA COMO DEPENDENTE EM PLANO DE SAÚDE DO CORPO DE BOMBEIROS MILITAR DO DISTRITO FEDERAL. ESCRITURA PÚBLICA DECLARATÓRIA DE UNIÃO ESTÁVEL. PROTEÇÃO CONSTITUCIONAL. RECONHECIMENTO JUDICIAL SUPRIDO. RECURSO CONHECIDO E IMPROVIDO. (...) 12. Na hipótese, os autores comprovaram que mantém união estável, desde o dia 05/09/2016, por meio de ESCRITURA PÚBLICA declaratória firmada em 25/04/2019, no 7º Ofício de Notas do Distrito Federal, bem como por fotos das mídias sociais, que demonstram a relação do casal ao longo do tempo. 13. No tocante à escritura pública declaratória de união estável, o artigo 215, do Código Civil, dispõe que é dotada de fé pública e faz prova plena quando lavrada em notas de tabelião. 14. Necessário considerar, ainda, que a união estável pode ser dissolvida por escritura pública, conforme disposto no artigo 733, do Código de Processo Civil indica (art. 733). 15. A desconstituição da presunção de veracidade do documento, por sua vez, só é possível se comprovado, estreme de dúvidas, que os fatos nela narrados não condizem com a realidade, pois, trata-se de declaração formalizada por ato jurídico praticado dentro e nos limites da lei, por alguém também legalmente habilitado. 16. No caso concreto, não há nos autos evidências ou elementos capazes de infirmar os fatos e os documentos apresentados, em especial a existência da união estável registrada em ESCRITURA PÚBLICA lavrada em Cartório. 17. Logo, não prospera a alegação do Distrito Federal de que a escritura pública, por si só, não faz prova da existência de união estável. (...) 20. Portanto, é ilegítima e desarrazoada a exigência de reconhecimento judicial de união estável, quando suprida pela apresentação da DECLARAÇÃO CARTORÁRIA, documento suficiente a demonstração da relação familiar exigida pela Lei. (...) (TJDFT 0722821-73.2019.8.07.0016. J. em: 04/02/2020)"

Ainda assim, com todos os direitos já reconhecidos (especialmente os direitos sucessórios, equiparados, cf. RE 878.694 e 646.721, STF) é preciso assentar que se for desejo do casal, pode sim ser possível a CONVERSÃO DA UNIÃO ESTÁVEL EM CASAMENTO, seja pela via JUDICIAL (art. 1.726 do CCB) ou pela via EXTRAJUDICIAL (art. 783 da CNCGJRJ c/c AVISO CGJ/RJ 1.319/2019 e Provimento CGJ/RJ 52/2013).