Já tem tempo que não apareço no meu imóvel. Corro mesmo risco de perdê-lo por Usucapião?

SIM..... A Usucapião se configura independentemente da "concordância" do titular registral. Basta para sua ocorrência o preenchimento dos requisitos legais para a modalidade pretendida (e são várias delas, com diversos prazos, inclusive). É importante deixar claro que não é o processo judicial de Usucapião e a decorrente "sentença" ou até mesmo o procedimento em Cartório com o respectivo "reconhecimento extrajudicial" quem faz surgir o domínio oriundo do instituto.

Importante ainda anotar, dessa forma, uma vez preenchidos os requisitos da Usucapião, deve o ocupante, para fins de regularização do Registro Imobiliário (e, portanto, usufruir de todos os benefícios que somente a propriedade imobiliária regularizada pode irradiar - especialmente a SEGURANÇA JURÍDICA) buscar o reconhecimento do seu Direito, seja pela via JUDICIAL ou pela via EXTRAJUDICIAL:

TJRJ. 0008151-61.2017.8.19.0031 - APELAÇÃO. J. em: 24/09/2020. APELAÇÃO CÍVEL. IMISSÃO NA POSSE. USUCAPIÃO EXTRAORDINÁRIA. REQUISITOS. PRESENÇA. (...). 4. Assim, em que pese ser fato incontroverso que a autora é titular do domínio sobre o bem, a parte ré sustenta o exercício da posse, tendo o Juízo a quo reconhecido a presença dos requisitos da usucapião extraordinária (CC, art. 1.238, parágrafo único). (...) 6. É cediço que a posse ad uscapionem conjuga os requisitos da continuidade (a posse não pode sofrer interrupções); da incontestabilidade e da pacificidade (inexistência de oposição ou resistência, isto é, posse mansa e pacífica); e, do animus domini (o possuidor deve agir como se dono fosse). Doutrina. 7. Desse modo, apesar de o réu não ter apontado a que título se encontra na posse do bem, pois embora afirme em depoimento pessoal ter adquirido, não apresenta qualquer prova, levando a crer tratar-se de INVASÃO, mas fato é que para o reconhecimento da usucapião extraordinária INDEPENDE do título e boa-fé. Por outro lado, deve comprovar o decurso do tempo, de forma mansa e pacífica, como dito alhures, o que restou demonstrado nos autos. 8. A prova documental comprova que em 09 de agosto de 2011 a esposa do réu solicitou o parcelamento da dívida de IPTU pendente sobre o bem e que desde então vem efetuando o pagamento correspondente. (...) 11. Outrossim, constata-se, ainda, que o apelado EDIFICOU BENFEITORIAS, construindo imóvel residencial, emprestando ao até então terreno abandonado FUNÇÃO SOCIAL à posse por ele exercida, fazendo USO EFETIVO DO BEM, a ensejar a aplicação da REDUÇÃO DO PRAZO para dez anos, prevista no parágrafo único do art. 1.238, do Código Civil. 12. Impende salientar que a autora não traz qualquer elemento hábil a comprovar não ter abandonado o imóvel, ou mesmo que durante o lapso temporal decorrido tenha se insurgido contra a posse exercida pela parte ré, a afastar a posse mansa e pacífica. 13. Nesse passo, ante a presença dos requisitos legais, mantém-se a sentença objurgada, que reconheceu a usucapião extraordinária e julgou improcedente o pedido inicial de imissão da posse. Precedentes. (...)"