E esse tal de "Inventário Extrajudicial"? Sem Juiz? Eu acho que isso vai ser pura fraude...

Ainda hoje temos o DESPRAZER de encontrar colegas que ainda não se deram conta que o EXTRAJUDICIAL se estabeleceu e é mais do que urgente no contexto atual de Judiciário abarrotado, não conseguindo cumprir a promessa de resposta célere com razoável duração de processo, por maior que seja o reconhecido esforço de muitos Magistrados e suas diligentes equipes...

A "extrajudicialização" de diversos procedimentos não criou a FRAUDE, o mau-caratismo, o estelionato e tanto outros supostos motivos alegados por aqueles que criticam a transferência para os Cartórios Extrajudiciais de atos até então a cargo exclusivamente do Judiciário como INVENTÁRIO, DIVÓRCIO, PARTILHA, USUCAPIÃO e alguns outros.

 bem da verdade esse movimento é tendência e se afina justamente com a necessidade de desafogar o judiciário, permitir a mais rápida solução de situações onde de fato o Judiciário não precisa atuar (já que não haverá conflito a ser dirimido), permitindo com isso, além de diversos outros benefícios, que o já assoberbado Magistrado canalize seu escasso TEMPO para atuação onde de fato a Sociedade clama e precisa.

O tempo tem demonstrado que de fato a desjudicialização tem funcionado e os números não mentem, merecendo destaque o estudo "CARTÓRIO EM NÚMEROS" disponibilizado pela ANOREG-BR em https://www.anoreg.org.br/site/wp-content/uploads/2020/04/Cart%C3%B3rio-em-n%C3%BAmeros-1.pdf - onde observamos, inclusive, que desde de 2007, quando foi instituída a Lei n° 11.441/07, que autorizou a lavratura de INVENTÁRIOS, partilhas, separações e divórcios consensuais em Tabelionato, mediante escritura pública, os Cartórios de Notas de todo o Brasil já realizaram MAIS DE DOIS MILHÕES de atos dessa natureza, gerando uma economia histórica ao Estado.

Como assenta com todo acerto o Desembargador Aposentado, hoje Advogado Dr. KAZUO WATANABE (Cultura da sentença e cultura da pacificação. In: Estudos em homenagem à Professora Ada Pelegrini Grinover[S.l: s.n.], 2005) é preciso superar a "CULTURA DA SENTENÇA": (...) toda ênfase é dada à solução dos conflitos por meio de PROCESSO JUDICIAL, em que é proferida uma SENTENÇA, que constitui a solução imperativa dada pelo representante do Estado. O que se privilegia é a solução pelo critério do 'certo ou errado', do 'preto ou branco', sem qualquer espaço para a ADEQUAÇÃO DA SOLUÇÃO, pelo concurso da vontade das partes, à especificidade de cada caso".

É claro que o ADVOGADO precisa ESTUDAR e se atualizar para conhecer o sistema Extrajudicial, reconhecendo a sua importância na atuação neste meio. Talvez aí esteja o problema de muitos que não pretendem voltar aos estudos...

Por fim, para quem não gosta do Extrajudicial, desejo paciência e atualização jurídica, pois estamos no aguardo de novidades como o DESPEJO EXTRAJUDICIAL em breve (PL 3999/2020 na Câmara dos Deputados).