Preciso mesmo de Advogado para essa tal Usucapião feita em Cartório?

SIM! Mesmo no procedimento realizado na via Extrajudicial, sem processo judicial, sem juíz, sem audiências etc., é exigência legal que no procedimento de Usucapião Extrajudicial o Advogado participe e faça o requerimento ao Registro de Imóveis. É importante assinalar que o Advogado será responsável por conhecer do caso e identificar as nuances, analisar as provas, fazer todo o enquadramento do caso apresentado às figuras legais passíveis de regularização através da Usucapião, como por exemplo:

1. Usucapião Ordinária;
2. Usucapião Extraordinária;
3. Usucapião Familiar;
4. Usucapião Especial Urbana;
5. Usucapião das espécies com prazo reduzido;
6. Usucapião Lajeária etc.

Necessário pontuar que, considerando as duas fases do procedimento (1ª Etapa: LAVRATURA DA ATA NOTARIAL no Cartório de Notas e 2ª Etapa: TRAMITAÇÃO e REGISTRO no Cartório de Imóveis), a Lei exige apenas o requerimento de Advogado na segunda fase, porém, muito recomendável a participação do Advogado junto ao Tabelionato de Notas na 1ª fase de modo a colaborar com o Tabelião na formação do Instrumento que servirá de base para o pedido na Serventia Imobiliária.

Acerca da obrigatoriedade de ADVOGADO no procedimento em análise, comentam os ilustres MARCO AURELIO BEZERRA DE MELO e JOSE ROBERTO MELLO PORTO (Posse e Usucapião: Direito Material e Direito Processual. 2020):

O pedido deve estar acompanhado da prova documental indicada no dispositivo, devendo ser feito por meio de ADVOGADO ou DEFENSOR PÚBLICO, qualificado na petição - o que impõe, na primeira hipótese, mais um requisito: a PROCURAÇÃO, outorgada por instrumento público ou particular. (...) O fato de se tratar de um movimento de desjudicialização não retira do procedimento o caráter técnico-jurídico e, por tal motivo, observado o princípio da instância, a medida é deflagrada pelo interessado que deverá estar DEVIDAMENTE REPRESENTADO POR SEU ADVOGADO que, como cediço, é um agente indispensável à administração da justiça (art. 133, CF), seja em presença do JUIZ ou de um DELEGATÁRIO desse serviço público (art. 236, CF)".