Sou filho único de pais falecidos. Preciso fazer inventário?

Mesmo como único descendente há necessidade da realização do Inventário (JUDICIAL ou EXTRAJUDICIAL) dos bens deixados pelos falecidos de modo a permitir a disponibilização dos bens, assim como a regularização da titularidade, p.ex., no Registro Imobiliário conferindo publicidade e oponibilidade - mesmo que vigente a Saisine, segundo a qual, com o falecimento do autor da herança, automaticamente os bens do acervo passem para a posse dos herdeiros, mesmo que eles desconheçam a herança.

Neste aspecto é importante observar que, se os pais não faleceram no mesmo exato momento, poderá haver sucessão de um para o outro, não sendo permitido ignorar essa transmissão (como vimos aqui https://www.instagram.com/p/CACpp2iDiJ_/ - a chamada "Partilha Per Saltum"). Ademais, verdadeiramente havendo apenas um herdeiro teremos Inventário e ADJUDICAÇÃO e não Inventário e PARTILHA, com evidente facilitação dos procedimentos tendo em vista existir, efetivamente, apenas um beneficiário:

"AGRAVO DE INSTRUMENTO. TESTAMENTO. ARROLAMENTO. ÚNICO HERDEIRO. ADJUDICAÇÃO. DECISÃO JUDICIAL QUE DETERMINOU A ADOÇÃO DE MEDIDAS TÍPICAS DO INVENTÁRIO E PARTILHA. DESCABIMENTO. INCOMPATIBILIDADE COM O PROCEDIMENTO SIMPLIFICADO. (...) Ora, pela simples leitura da decisão supra, vê-se que a ilustre magistrada, embora diante de hipótese excepcional disciplinada pelo § 1º, do art. 1.031, do CPC, obrou com desmedido e incompatível rigor, impondo ao inventário em comento, não o procedimento especial do arrolamento, mas sim aquelas medidas próprias do procedimento dos inventários e partilhas em geral Decisão que merece ser reformada em parte. RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO. (TJ-RJ - AI: 00175838620068190000. J. em: 19/04/2006)".