Mas então é mentira que os Cartórios dão prejuízo ao Estado???

Ainda muita gente aponta e fala mal de Cartórios sem passar ao menos um dia (um dia, só um diazinho! rs) dentro de uma Serventia para conhecer toda a rotina interna. Antes de mais nada é preciso relembrar aqui que iniciei minha vida profissional aos 14 anos de idade numa Serventia Extrajudicial, na época em que ainda era muito comum enormes livrões para anotações ainda manuscritas nos registros e a informatização ainda era muito tímida (quando existente)... então vi bastante coisa nessa seara...

Conhecendo melhor os regramentos próprios dos Cartórios é possível observar que no dia a dia, caberá ao Tabelião/Oficial do Registro, ainda que devendo primar pela sua imparcialidade e observância aos princípios legais, especialmente a legalidade, orientar e aconselhar os usuários - e pasmem - esse aconselhamento extremamente especializado e valioso - QUE MUITO PROFISSIONAL DO DIREITO NÃO TEM nem mesmo com a graduação, pós graduação etc - é prestado muitas vezes GRACIOSAMENTE, na medida em que o Tabelião e o Oficial do registro não cobram por consulta e aconselhamento. Ou seja, ele orienta, explica, esclarece e, se no final, o usuário não resolver lavrar em sua Serventia o Ato Notarial ou realizar aquele registro, não haverá falar em cobrar pela consulta... isso é muito importante especialmente naquelas localidades isoladas onde nem mesmo Advogado ou Defensoria Pública estão disponíveis para o grande público (que é quem realmente precisa).

Muitas funções são lançadas na conta do Oficial (como por exemplo e apenas para citar uma delas, o dever de fiscalizar o recolhimento de tributos pelas operações que exercem - DOI - Declaração sobre Operações Imobiliárias), sem a qualquer contraprestação pelo Fisco... Interessante também lembrar (como visto em https://www.instagram.com/p/CEyfoVljDAv/) que do valor efetivamente PAGO (sim - os Cartórios realizam outros ATOS GRATUITOS a quem preencha os requisitos legais - e não só primeiras vias de óbito e nascimento) BOA PARTE É REPASSADA para outras entidades como Fundo da Defensoria Pública, Fundo da Procuradoria do Estado, Fundo para Gratuidades, Tribunal de Justiça etc...

O Serviço é delegado pelo Estado e é risco do particular, aprovado em concurso público, assumi-lo ciente de tudo isso e especialmente da sua responsabilidade (cf. art. 22 da LNR).