Preciso mesmo registrar minha União Estável em Cartório?

DEPENDE..... se a intenção for garantir maior certeza, segurança jurídica e preservar direitos como PARTILHA DE BENS, principalmente... então sim, deve registrar sim e especialmente observar o Provimento CNJ 37/2014 que trata da questão do assento da União Estável no Registro Civil - realizando ainda a averbação no RGI...

Como sempre falamos aqui, a configuração da União Estável independe de Contrato Escrito, devendo ser preenchidos os requisitos do art. 1.723 do CCB (convivência pública, contínua e duradoura), porém a mesma Lei Civil destaca que na ausência de CONTRATO ESCRITO valerão as regras do regime da COMUNHÃO PARCIAL DE BENS no que couber - e é aí que pode morar o problema ou até mesmo a solução para muitos casos - dependendo sempre do CUIDADO e do ZELO do casal em tratar a sua relação afetiva que projeta, como vimos, efeitos patrimoniais para ambos...

Decidiu recentemente o Superior Tribunal de Justiça, reformando decisão do TJMG, que por conta de não estar registrado o contrato da união estável no registro público (e, portanto, sem a devida publicidade da união estável então formalizada) o comprador de imóvel - onde a companheira do alienante não anuiu na venda - não pode ser prejudicado por alegada ausência de "outorga uxória":

RECURSO ESPECIAL Nº 1.706.745/MG. J. em: 04/03/2020. EMENTA RECURSO ESPECIAL. DIREITO CIVIL. NEGÓCIO JURÍDICO. COMPRA E VENDA. UNIÃO ESTÁVEL. OUTORGA UXÓRIA. IMPRESCINDÍVEL PUBLICIDADE OU CARACTERIZAÇÃO DE MA-FÉ. 1. Necessidade de autorização de ambos os companheiros para a validade da alienação de bens imóveis adquiridos no curso da união estável, tendo em vista que o regime da comunhão parcial de bens foi estendido à união estável pelo art. 1.725 do CCB, além do reconhecimento da existência de condomínio natural entre os conviventes sobre os bens adquiridos na constância da união, na forma do art. 5º da Lei 9.278/96. 2. Invalidação de atos de alienação praticado por algum dos conviventes sem autorização do outro dependente de constar se existia: (a) publicidade conferida a união estável, mediante a averbação de contrato de convivência ou da decisão declaratória da existência união estável no Ofício do Registro de Imóveis em que cadastrados os bens comuns, a época em que firmado o ato de alienação, ou (b) demonstração de má-fé do adquirente. 3. No caso, nem foi apontada a configuração de má-fé, nem existia qualquer publicidade formalizada da união estável na época em que firmado o contrato de alienação, de modo que não pode ser invalidado com base na ausência de outorga da convivente, ora recorrida. 4. Recurso especial provido".