Fiz a Escritura mas não registrei. Já sou dono??

Não - e aqui vale o velho ditado (mantra registral): "Só registra quem é dono"... Segundo a lição da douta MARIA HELENA DINIZ (Sistema de Registro de Imóveis. 2014),

"(...) o assentamento [no Registro de Imóveis] induz prova da propriedade e de direitos reais sobre imóvel alheio de fruição, de garantia e de aquisição, por ser FONTE SEGURA de informações e por ORIENTAR OS QUE FOREM EFETIVAR NEGÓCIOS imobiliários concernentes ao imóvel registrado. O registro imobiliário comum, regido pela Lei 6.015/73, arts. 167 a 276, estabelece uma presunção JURIS TANTUM de domínio da pessoa em cujo nome se fez o assento do imóvel, não favorecendo terceiros de boa-fé (RT, 184:407) (...) No nosso direito, os contratos, em si e por si, não bastam para transferir o domínio; portanto, a transferência da propriedade não se opera pela simples força da convenção".

Importante notar, como lembra muito bem a citada autora, que outras formas de aquisição (como aquela oriunda do direito sucessório - HERANÇA, acessão ou USUCAPIÃO) independem do registro imobiliário para fins de sua concretização, porém dele dependem, por óbvio, para permitir a DISPONIBILIDADE, atendendo também ao princípio da CONTINUIDADE.

A jurisprudência do STJ prestigia a importância do Registro de Imóveis:

"STJ. REsp 1358062/DF. J. em: 15/08/2019. RECURSO ESPECIAL. (...). DOAÇÃO DE IMÓVEL. TRANSFERÊNCIA DE PROPRIEDADE. REGISTRO DO TÍTULO TRANSLATIVO NO CARTÓRIO DE IMÓVEIS. NECESSIDADE. (...). 2. Enquanto a relação obrigacional tem por objeto comportamento consistente na entrega da prestação, o direito real de propriedade que recai sobre bem imóvel poderá formar-se pelo registro do título translativo no cartório de imóveis, tendo como objeto a própria coisa. Há um discrime entre os momentos do nascimento das obrigações de dar e sua fase de adimplemento, ou de direito das coisas, exigindo-se providência suplementar, antes da qual o adquirente é mero credor do alienante. 3. A doutrina especializada realça que a publicidade do registro cartorário visa dar efetividade à CONFIANÇA e à SEGURANÇA JURÍDICA, induzindo a circulação de riqueza, fluidez ao crédito e ao comércio, por meio da informação que fornece aos terceiros de boa-fé a respeito dos direitos relacionados com o bem que se registra, em especial quando não possuem manifestação possessória, a exemplo das hipotecas e dos ônus relativos aos imóveis. (...)".