Será mesmo que alguma Sentença Judicial pode trazer o "amor" de volta?

EFETIVAMENTE não... nós que militamos no Direito das Famílias estamos às voltas com todo tipo de “trabalho”: juntamos, separamos, fazemos pactos - tudo num caldeirão imenso de paixões, mágoa, ódio, rancor e muito sentimento - mas efetivamente quando o amor acaba não será mesmo uma sentença que vai fazer o amor voltar...

Sobre o Divórcio ensina a ilustre jurista MARIA BERENICE DIAS (Manual de Direito das Famílias. 2020) que

"Trata-se de um DIREITO POTESTATIVO. Ou seja, não é necessária a concordância do par para a sua decretação. Basta haver o desejo de somente um dos cônjuges, que não precisa justificar o pedido, para buscar o divórcio via ação judicial".

É importante lembrar que já houve normatização, com curtíssimo período de vigência (em 2019), expedida pelo TJPE (Provimento 06/2019) tratando do DIVÓRCIO IMPOSITIVO - situação em que bastava o comparecimento de um dos cônjuges, apenas acompanhado de Advogado, ao Cartório do RCPN para solicitar a averbação do seu divórcio unilateral - simples assim - porém o CNJ revogou tal provimento poucos dias depois. Buscando regulamentar a medida - já que efetivamente, o direito ao Divórcio, como se viu, é um DIREITO POTESTATIVO, tramita no Senado o PL 3457/2019 (disponível neste link https://www25.senado.leg.br/web/atividade/materias/-/materia/137242) para regulamentar a possibilidade do Divórcio Impositivo.

A decisão do TJRS ilustra bem a questão do Direito ao Divórcio:

AGRAVO DE INSTRUMENTO. PEDIDO LIMINAR DE DIVÓRCIO. POSSIBILIDADE. DESNECESSIDADE DE ANGULARIZAÇÃO PROCESSUAL. O direito ao divórcio é potestativo e incondicionado. Demonstrada a existência da relação matrimonial por meio de documento hábil e havendo pedido expresso de divórcio, é viável a sua imediata decretação. Nesse contexto, a ausência de angularização processual não impede o acolhimento liminar do pedido formulado pelo divorciando. (...)". (AI 70079918231. J. em: 28/02/2019)