O Extrajudicial é legal porém não consigo fazer nada com Gratuidade...

Infelizmente muitos colegas ainda pensam, equivocadamente, que no meio Extrajudicial não é possível realizar atos como INVENTÁRIO, DIVÓRCIO, USUCAPIÃO e outros sob o pálio da GRATUIDADE... a bem da verdade é possível SIM - mesmo que alguns colegas Cartorários não se sintam muito confortáveis quando informamos sobre isso aqui (desnecessário lembrar, mas dentro do "pacote" recebido na delegação estão não só o bônus mas também o ÔNUS de, sim, prestar o serviço essencial e nobre - com excelência - também a quem precisa e não pode arcar com os custos)...

Efetivamente não só as primeiras vias de Certidão de Nascimento e Óbito (Lei 9.534/97) serão gratuitos. A gratuidade terá tratamento conforme regulado no Estado em questão (no caso do Rio de Janeiro o regramento encontra-se estampado no Ato Normativo Conjunto CGJ/TJ 27/2013), sendo certo que o CPC/2015 também tratou da questão, falando inclusive em possibilidade de PARCELAMENTO (art. 98, §§8º e 6º).

E não é favor para ninguém: é DIREITO.

Ponto importante para destacar - e sempre fiscalizarmos - é que os Cartórios NÃO PODERÃO EXIGIR COMPROVANTE DE RENDA para fins de concessão ou não do benefício da gratuidade postulado. Tal determinação foi muito bem cravada, com todo acerto, pelo CNJ nos Procedimentos de Controle Administrativo 0002680-31.2013.2.00.0000 e 0003018-05.2013.2.00.0000 e o Pedido de Providências 0002872-61.2013.2.00.0000, na Sessão de 22 de outubro de 2013 - que resultou na revogação do até então vigente Ato Normativo TJ 17/2009 que permitia a deslocada exigência. Assim ementou o CNJ:

PROCEDIMENTO DE CONTROLE ADMINISTRATIVO. TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO. ATO NORMATIVO 17/2009. GRATUIDADE DE ATOS EXTRAJUDICIAIS. EXIGÊNCIA DE DOCUMENTOS PARA COMPROVAÇÃO DA CONDIÇÃO DE INSUFICIÊNCIA DE RECURSOS DO INTERESSADO. ILEGALIDADE. LEI 1060/50. CF, ART. 5º, LXXIV. LEI 11.441/07. RESOLUÇÃO CNJ 35/07. PROCEDÊNCIA DOS PEDIDOS. 1. Pretensão de invalidação de ato normativo de Tribunal que exige OUTROS DOCUMENTOS, além da declaração de pobreza, para a concessão da gratuidade de justiça na prática de atos extrajudiciais. 2. A miserabilidade para efeitos  legais é comprovada por declaração do interessado, sob as penas da lei, de modo que o tema não deve sofrer acréscimos de outros requisitos, os quais podem acabar por prejudicar ou inviabilizar o direito dos declarados necessitados. 3. A Resolução CNJ 35/2007, que disciplina a Lei 11.441/07 pelos serviços notariais e de registro, dispõe expressamente que basta a simples declaração dos interessados de que não possuem condições de arcar com os emolumentos, ainda que as partes estejam assistidas por advogado constituído. 4. Nada obsta que o notário ou registrador suscite dúvida quanto ao referido benefício ao Juízo competente como meio de coibir abusos” (CNJ, Procedimento de Controle Administrativo nº 0002680-31.2.00.0000, Rel. Conselheiro Saulo Casali Bahia, j. 08/10/2013).